Arquivo para Fevereiro, 2009

…dos livros que lí(2)

Postado em Arte, Futilidades, palavras com as tags em Fevereiro 23, 2009 por rodbox

Título: Guerra Relâmpago – The Shortest War
Editora: V.G.T.
Lançamento: 1967
Autor: Ury Paz

Este é um daqueles livros que não pode ser encontrado em edições recentes mas apenas em sebos ou se você der sorte, na prateleira da casa de um amigo na fileira do canto, a dos livros antigos.
Originalmente, lançado em 1967, um dos anos marcantes para o mundo e especialmente para o Oriente Médio que presenciou a conhecida “guerra dos seis dias” que é basicamente todo o assunto tratado neste livro.
Tentar entender a questão no seu âmago era um dos objetivos durante a leitura e pude concluir muitas respostas além de alguns fatos interessantes, sem dúvida esta leitura dá um olhar um pouco mais crítico sobre as informações dos conflitos que vemos constantemente na região, a longa questão entre árabes e judeus parece não ter fim, aliás, não teve em seis dias e provavelmente não terá nas próximas décadas, entre tantos fatores que levam nações ao extremo da violência fica claro pelas palavras do autor a manipulação propagantista  feita pelo lado árabe, em especial o Egito com um dedo russo, sempre que possível, a RAU – liga dos países árabes – acusava Israel (com base de informações russas no mínimo tendenciosas) de um iminente ataque ao lado árabe, o que não era verdade diante do histórico israelense nas Nações Unidas e insistentes vistorias nas fronteiras e exécitos dos países envolvidos nas acusações.
Vale considerar que Israel foi formado 10 anos antes a duras penas, logo uma expansão territorial estava totalmente fora de seus planos ficando óbvio a luta pela suasobrevivência como estado e seus diretos como nação incluindo o direito de defesa mas aos poucos e fatidigamente os esforços diplomáticos não conteram a máquina de propaganda alimentada por Nasser, presidente do Egito que tratou sorrateiramente de armar pactos de segurança com a Síria e Jordânia.
Quando o conflito se deu, a promessa de Nasser era riscar Israel do mapa, começando pela afronta de ter tomado o estreito de Tiran ao sul de Israel e impedindo a entrada de recursos naturais como petróleo, o levaram a iniciar uma das piores campanhas militares que se deu notícia.
Não houve tempo para mais conversas e morosidade diplomática por parte ONU, Israel manifestou sua indignação e agiu antes.

“O preço que o Egito pagou pela ambição megalomaníaca de Nasser é excessivamente elevado para que possa, ao menos, ser percebido pelos egípicios analfabedos. Pelo menos 10 mil pessoas morreram e foi perdido equipamento que valia mais de um bilhão e quinhentos milhões de dólares. 600 tanques foram destruídos ou capturados; 400 aviões destruídos e milhares de veículos, peças de artilharia, armas leves e munções foram apreendidos…”
O que torna a leitura empolgante é o nível de detalhamento e o desenrolar das tensões e combates, de maneira heróica, emocinante e gloriosa; a narrativa conta com cartas dos soldados a seus familiares, cria espectativas e nos faz refletir mais uma vez no valor da vida e o quanto custa a soberania de uma nação.
Para quem gosta de leituras de guerra, política e história, recomendo!

Feliz aniversário!

Postado em palavras com as tags em Fevereiro 22, 2009 por rodbox

aniversarioUm ano de postagens! Como todo pai diz “parece que foi ontem”, uma idéia que ganhou vida e seus meses de gest(aç)ão mudou de nome e migrou de domínio.
Bom olhar para esse um ano de vida e ver como os posts mudam, evoluem e vão ganhando forma, fico feliz porque é o que tinha em mente, com um espírito artístico, reflexivo e filosófico assim como toda obra de arte, a ideia original vai sofrendo alterações e mudanças até chegar no formato ideal ou inesperado.
Nos próximos anos que virão, a mudança vai continuar, só acrescentando e evoluindo pensamentos. Aproveitndo a data, abro a discussão de que todo mundo deveria ter um blog, só reforçar a idéia de que é bom saber como as pessoas que admiramos pensam, um blog é a melhor forma de difundir as próprias idéias e arrebanhar(por que não?) colaboradores.
Se Andy Warhol previa a que todo mundo teria seus 15 minutos de fama, talvez o blog a resposta para nossos dias, hoje podemos postar videos, músicas, compartinhar arquivos pessoais, etc, o blog é uma ferramenta poderosa de difusão em maça a partir de uma pequena partícula, o indivíduo.
Creio nas previsões da comunicação de duas mãos, no cabo da informação caseira tão vital quanto a rede elétrica ou de água e que em dentro de alguns anos teremos acesso a qualquer programa do mundo em nossa televisão, no horário que nos agrada e com o conteúdo que queremos: músicas, clipes, filmes e troca de conteúdo.

Inquietações(2)

Postado em palavras com as tags em Fevereiro 21, 2009 por rodbox

As vezes só queremos um pouco de paz, sussego e traquilidade. Pode parecer fácil dizer isso mas quantas são as pessoas que tudo o que desejam é “só” isso? Ter a sensação que sua vida é controlada por sistemas não é nada agradável, não me refiro a sistemas informatizados, aliás quem trabalha com esses tipos de sistemas sabe muito bem do é ter sua ateção cortada a qualquer momento por displays de mensagens urgentes. Quando digo ter a vida controlada por sistemas é sentir a cobrança de todos os lados e muito mais quando se está cansado, exausto, querer babar sobre o travesseiro em virtude de excesso de informação que você tenta assimiliar. Todo mundo quer um pouquinho, imagine se fossemos como formigas que deixam trilhas de feromônio a cada solicitação de atenção, o feromônio serve como modo de comunicação entre as formigas forrageiras, sobre o quanto longe ela está daquele lugar e de certa forma é um resumo do que está fazendo. De certa forma é a mesma coisa em nosso dia-a-dia, nos justificamos para todo mundo como se deixássemos um pouco de nossa energia com cada um e em cada lugar que passamos e no final do dia, não resta mais nada, nem pra nos manter em pé. As vezes precisamos do silêncio, para ouvir nossos pensamentos e ter bons sonhos, nos sentir por um momento seguros dentro do formigueiro enquanto as outras trabalham do lado fora deixando suas trilhas, seus pedacihos de informações por aí. Um sistema é exato mesmo cheio de variável não há que vá ocorrer de forma inesperada, é o caos sobre controle, não há infinitas variações e o ser humano é imperfeito, volátil, temperamental, cheio de efemeridades, um chaos mais ou menos sob controle, ou seja, ser humano x sistema (em sua maioria) não combinam, só serve para acentuar esse grau de esgotamento mental e grande inquietação.

Inquietações

Postado em palavras com as tags em Fevereiro 18, 2009 por rodbox

Algumas coisas nos tiram a paz, nos deixam irriquietos, mesmo nos lugares mais silenciosos, como se houvesse um grande túnel sendo cavado dentro da cabeça. O que pega é que não são as pessoas, somos nós. Quantos minutos para ler um livro? Quanto livro para descançar?
É tudo uma questão de organização interna, você muda e todos mudam, o mundo silencia e eu escuto meus pensamentos. Quantos pontos de irritação há em seu dia?
Quando paramos de girar a caneta nas mãos ou paramos de bater as mãos contra a mesa, quantas questões humanas cabem em uma cabeça? Quantas palavras acalmam o espírito?
Aparentemente tudo é simples se você está quieto, há quem diga que a vida é isso mesmo, simples, nós a complicamos e pergunto quem poderia simplesmente viver sem medo de errar, sem medo de julgar, sem medo de ter medo, sem medo de ser feliz, sem medo de questionar, sem medo de lamentar?
Quantos temores aterrorizam nossa mente? Isso tudo me deixa muito inquieto e desconfortável na cadeira, tem algo de errado e eu não sei o que é, o que há e que deve ser feito?

Tudo isto é muito intrigante e preocupante, caminhamos para algum lugar sem saber o porque exatamente caminhamos, como é que viemos parar aqui?

O sofrimento não combina com a vida humana e essas inquietações só tiram a paz, em qualquer lugar…

…dos livros que lí(1)

Postado em Arte, Futilidades, palavras com as tags em Fevereiro 10, 2009 por rodbox

Título: A Filosofia de Andy Warhol
Editora: Cobogó
Lançamento: 1975(US) / 2008(BR)

Escrito pelo próprio Andy Warhol e como o título sugere, é um livro para saber o que ele pensava e o que ele falava com sua mulher, não era exatamente uma mulher de vderdade e sim seu gravador que deu a base para o livro todo e foi sua companheira de vida registrando sua percepção de mundo.
Andy Warhol divide opiniões entre todas as pessoas que o conheceram pessoalmente e/ou conhecem sua obra, para alguns sua arte não é arte, para outros ele é um dos principais artistas e ícones do século XX, tanto que sofreu um atentado em 1968 da fundadora e membro único da Sociedade para Castrar Homens – em inglês – SCUM – Society for Cutting Up Men – os motivos que o levaram a sofrer o atentado não são citados no livro mas pode-se dizer que ele provocou muita gente achava sua arte ridícula e ofensiva.
Ao longo do livro percebi que se existe uma pessoa fruto do meio que vive, essa pessoa é Andy Warhol, em todo livro ele não faz uma referência a arte clássica, livros ou grandes personalidades históricas, exceto Picasso o qual faz uma referência e tenta produzir em seis meses a quantidade de obras que Picasso produziu em toda sua vida, uma tentativa frustada, as grandes referencias são marcas, nomes de pessoas famosas e tudo o que a televisão exibia.
Baseado em sua narrativa, fica claro a predominante influência da televisão para inspirar suas criações na década de 1960, a imagem simplesmento o fascinava, tanto que ele tinha quatro televisores em seu quarto, um tipo de fascínio que chamou a atenção pela forma que a vida era retratada e foi base para seus mais expressivos trabalhos: a famosíssima Pop Art – a massificação da mensagem como arte. Talvez o grande trunfo de Andy foi ter entendido como os meios de comunicação impunham o comportamento que desejavam e reproduzir isso como arte, fazer das relações pessoas x produtos, seu sustento, entendendo que “pessoas são produtos e produtos são pessoas”, muita gente pode achar isso um extremo absurdo mas para o mercado de consumo é absolutamente óbvio a tipificação de pessoas/produtos e vice versa, sua célebre frase – “… no futuro todo mundo terá seus 15 minutos de fama”, pode parecer sem sentido para nós hoje em dia mas tem provado ser veradade a cada reality show, isso dito na década de 1970 soava mais como um tiro a esmo do que uma profecia diante da personalidade fútil mostrada no livro, um cara que viveu solitariamente a maior parte de sua vida, adorava conversar no telefone com seus amigos(as), viciado em doces, caixinhas, televisão, dinheiro e claro, arte.
Fico imaginando se Andy Warhol estivesse vivo hoje, com seria o debate entre as mídias convergentes ou melhor, se ele tivesse 25 anos hoje como faria a crítica diante dos aparelhos de televisão full hd e TiVos da vida, qual seria o manifesto lançado por Andy após o advento da internet?
Sem dúvida, é o que faz deste artista uma personalidade polêmica, visionária, fútil e atual mesmo após sua morte em 1987, uma arritimia cardíaca após operação da visícula biliar.