
Um casal sentado no banco de uma praça numa manhã de domingo olhando vagamente por entre os carros, conversam, eles tem um diálogo, morno, pálido como tinta em parede antiga:
- O que é arte? – Pergunta um vagarosamente.
- É tudo que desperta emoção nas pessoas – responde o outro gesticulando as mãos.
- Por que motivo as pessoas precisam dela? – Olhando fixamente para o horizonte.
- Para se alegrarem. – O outro pisca.
Silêncio.
- Há outras coisas que alegram as pessoas – volta a perguntar o um.
- Há… Mas ninguém vive sem as cores – o outro suspira.
- Existem cores tristes, não servem para alegrarem – provoca um.
- As cores tristes existem para lembrarmos que as cores alegres existem e se chamam arte – responde o outro olhando para o um e segurando sua mão.
Novo silêncio.
- Você me ama, outro? – tomando-o a outra mão e apertando-as contra o peito.
- Amo, meu bem! – O um desvia o olhar emocionado.
- Por favor, nunca me deixe. Preciso de você! – os dois se abraçam e choram juntos.
- Precisamos das cores um do outro para sermos completos – diz um chorando.
- Sim, meu amor! Eu te amo com todas as cores.
Novamente, silêncio.
Levantam-se e vão embora.
E assim faziam todas as vezes que sentiam medo.
Título: Ortodoxia
Pior do que querer comer bem por um preço camarada é querer tomar café e comer por um preço mais camarada.