Superficialidade! Novamente este tema volta em cena, poderia incluir na parte dos post “…dos livros que lí” pois o assunto voltou justamente com minha leitura de um dos livros póstumos de Júlio Verne – Paris no Século XX, o texto foi encontrado apenas em 1984 confirmando o título que havia sido publicado pelo filho de Verne dias após a morte de seu pai.
Por volta de 1860, Júlio Verne tentou imaginar como seria o mundo a mais ou menos a cem anos dalí e posso dizer que ele foi bem em retratar como as relações humanas estariam baseadas em coisas e não em pessoas e se você não enquadrar-se simplesmente seria uma carta fora do baralho sem o mínimo de remorso para a sociedade e é o que ocorre com o personagem principal do romance.
Verne previu que certas faculdades humanas estariam praticamente mortas quando o mundo chegasse ao seu ápice de produção industrial, não haveria autênticas mulheres, a relação entre marido e mulher seriam os negócios, a base de troca de interesses, não há sentimento apenas comprometimento com o lucro e gestão das informações para melhorar os resultados.
Desta forma, há grandes complexos para estudos, grandes instituições de ensino científico e mecânico, o livro cita a “Sociedade Geral de Crédito instrucional” um local onde o que importa é ser bem sucedido nos números, na química e administração dos bens e o pobre do personagem – coincidentemente com o nome de seu filho, Michel – destaca-se por ser um talento nas letras, na poesia e apaixonado pelos grandes autores franceses praticamente esquecidos numa sociedade moderna e ao longo do romance o jovem é colocado como um peso na família por não compartilhar as mesmas ambições.
Diante do mundo utópico de Verne, fico com a parte dos relacionamentos mal resolvidos, superficiais e interesseiros – que sempre existiram, sem dúvida – mas que hoje se tornaram mais reais que nunca devido a tecnologia em nossa disposição: temos a velocidade da informação, das transações bancárias, dos sistemas integrados e uma solidão caótica!
Infelizmente, a superficialidade parece ser uma tendência para nós do Século XXI, tanta velocidade e integração que nosso tempo tem sido tão escasso diante das futilidades e arrisco incluir que se não são fatores dessa velocidade são nossas próprias limitações internas e externas além das pandemias, atentados, violência, variações climáticas, etc.
Sinto que as novas gerações estão fadadas a efemeridade e as utopias de um futuro já escrito e assim nossa vida se vai escorrendo por entre os dedos alimentando alguma engrenagem da fatídica globalização.
Arquivo para Agosto, 2009
Superficialidade
Postado em Filosofia, palavras com as tags superficialidade em Agosto 26, 2009 por rodboxSobre os sebos
Postado em Livros, palavras com as tags sebos em Agosto 15, 2009 por rodbox
Qual a magia dos sebos? Já reparou que a sensação de entrar num sebo é totalmente antagônica a de uma livraria sendo que o mesmo livro que estava lá naquela livraria suntuosa cheio de destaque, meses, anos depois estará em alguma parte das prateleiras abarrotadas, aparentemente sendo mais um livro entre tantos a espera de uma nova descoberta.
Particularmente eu tenho certo fascínio por sebos, não sei ao certo quando isso começou, creio que por volta de meus 15 anos quando um amigo de infância me convidou para ir ao centro da cidade procurar alguns vinís, naquele dia entramos em uns três sebos e então descobri coisas fantásticas sobre coisas que as pessoas não se interessam mais.
No sebo há livros que nunca imaginamos que pudessem ser publicados, é possível achar raridades culturais, incluo: vinís, quadrinhos e revistas antiquíssimas, tudo isso na sua frente e em muitos casos por um preço insignificante perto do sigfnicado sentimental da obra.
Existem sebos que podemos fazer uma verdadeira viagem ao passado, por exemplo, em meio aquelas revistas de atualidades, muitas não existem mais nos dias atuais e fazer um estudos de suas cacterísticas, desde a arte até o conteúdo, fotos, um verdadeiro mergulho antropológico, estou exagerando?
Entendo que há pessoas que recorrem aos sebos assim como poderiam recorrer a uma biblioteca, apenas para ter aquele exemplar “rodado” e acrescenar o nome a lista dos leitores daquele mesmo livro e qual é a diferença? Bom… aí é com cada um, pode ser o cheiro, a capa, uma versão especial, qualquer coisa que faz destes lugares uma cultura a parte.
Hoje encontramos muitas maneiras de ter um livro de “segunda mão” por um preço honesto, falo da evolução informacional que nos proporciona achar endereços de sebos via internet em qualquer lugar do Brasil. Há alguns anos encontrei um site que se propusera a fazer isso, cadastar sebos e seus acervos e num clique você encontra muitas opções, não é querendo fazer merchan mas deixo a dica para acesso e creio que você achará aquele livro que não encontra mais nas livrarias de grife e por um preço justo quando não, excelentes!
Coincidentemente, enquanto fazia o rascunho deste post encontrei outro post relacionado a sebos.
Creio que essa tecnologia não afastará os frequentadores de sebos fisicamente falando, apenas irá fortalecer a troca de livros e dar uma nova face a esses redutos fantásticos de cultura. Vida longa aos sebos!
…dos livros que lí(6)
Postado em Livros com as tags livros em Agosto 10, 2009 por rodbox
Título: O Relatório da CIA
Editora: Ediouro
Lançamento: 2006
Autor: Introdução: Heródoto Barbeiro
Creio que as pessoas que gostam de assuntos relacinados a política global e tendências sociais vão gostar. Com base nos relatórios enviados a CIA e livro faz uma previsão de como andarão os mais diversos setores da economia global até 2020.
Encontramos uma detalhada explicação das relações internacionais dos Estados Unidos com os demais países do mundo e como as demais potências do globo irão trabalhar suas estratégias, recursos naturais, alianças de defesa, gastos militares, enfim, o livro consegue explicar de uma maneira digestível quais as dificuldades que enfrentaremos e como isso influenciará o desenvolvimento de novas potências, entre elas, o Brasil.
O livro tem base nos relátórios de grandes especialistas em diversas áreas do mundo com relatos comuns de um futuro que parece ter seu plano traçado e até onde sei, a versão brasileira deste livro conta com duas introduções, uma de Heródoto Barbeiro e outra francesa por Alexandre Adler.
Talvez a pior sensação é você ver que alguns fatos descritos já ocorreram considerando a data de publicação(2006), sabe aqueles previsões sociais caóticas que você em documentários televisivos? Sim, é possível! Mundo de Davos? Pax Americana? Novo Califado? Ciclo do medo? Onda tecnológica? Tudo isso bem explicado.
Faz um tempo que queria fazer este pequeno ensaio, contribuindo para minha filosofia dessa vez ligada ao campo da música, o assunto é Heavy Metal e Rock´n´Roll de uma maneira geral.