Fico me perguntando qual deveria ser o papel dos seres humanos, ou melhor, encurtando a reflexão, como deveria ser nossas relações humanas? Evolução, crescimento, conhecimento, experiência, o que era antes já não é mais e que foi volta a ser alguma coisa.
Quanto tempo ficamos parados olhando a vida do vizinho, do amigo, dos tios, de quem quiser, acontecer e a nossa vida a mantemos parada?
Quantas pessoas passam pela nossa vida em um ano? Há fases que há encontros e desencontros, por exemplo, conhecemos muita gente na faculdade, no trabalho, no dia-a-dia e quantas nos preocupamos de fato, nenhuma resposta.
Com quantas pessoas devemos dividir nossa sinceridade e amor, se é que existe em algum de nós?
Cansei de contar o números de pessoas que passaram por minha vida e dei o valor errado, alguns mereciam muita atenção e outros nada, troquei os valores e lá se foram.
Outro dia ouvi uma frase muito boa – não me lembro o autor – mas ele dizia “Experiência é nome que a gente dá aos erros que cometemos ao longo da vida”, por uns bons minutos fiquei refletindo e tentando desconstruir a frase e montar minha própria conclusão, o máximo que consegui foi expressar um olhar de indignação. Desde então tenho me aprofundado nessas questões existenciais e volto pergunta inicial deste post.
Quais são as pessoas e os lugares certos que devemos dividir nossos esforços, criatividade e tempo?
Hoje em dia há uma pressão para uso e produção de nossos sentidos em prol de grandes organizações que nem sabemos suas reais intenções no topo da pirâmide, simplesmente dizem “siga a fila e lá no final você não se arrependerá!”.
Se você leu 1984 de George Orwell, deve ter percebido que esse pensamento é muito presente no personagem principal que passa quase todo o romance lutando consigo mesmo e o mundo todo a favor de sistema utópico, como se estivesse dentro de uma máquina auto-suficiente sem direção.
Qual o tamanho da esperança que você deposita em si mesmo? Qual a sua visão de futuro e que você tem desejado para si?
Ainda irei colocar em um romance todos os assombros, devaneios e epifanias que tenho.
Arquivo para Setembro, 2009
Reflexões
Postado em Filosofia, palavras com as tags Reflexões em Setembro 27, 2009 por rodboxPartida
Postado em Filosofia, palavras com as tags Partido em Setembro 23, 2009 por rodbox
A pior coisa que existe é se olhar no espelho e perceber que a pessoa amada não se encontra mais em seus olhos, é sentir um abismo aberto em seu coração e há alguém faltando em seu olhar.
Antes, noites com pesadelos, agora, noites em solidão. Há quem tire da dor poemas doces e belos e há quem não consiga formular pensamentos vagos sem lembrar do que se foi.
Ela não morreu, só partiu com permissão e a parte mais ferida ficou contigo, do lado de dentro, quebrado, sangrando…
Ainda há muita coisa em comum, o que se foi e o que ficou, as lágrimas continuam nos ligando numa triste expressão. Esse é o lado da dor.
Há agora um tempo de achar o caminho de volta, meditar e esperar que a razão volte ao seu caminho e que ambos fiquem bem, …ambos fiquem bem, que eu fique bem, que ela fique bem, o estar bem sempre me trouxe uma ponta de desapontamento, nunca quis que ele fosse usado e as vezes doía ao ser ouvido sem motivo.
Partido, como um garoto que volta ao campo, olha o horizonte, vê as nuvens carregadas de água e relâmpagos, sente a brisa e tenta imaginar o que há além de toda a tempestade.
Imagina sentir-se seguro nos braços de quem?
Uma nova vitrine, um nova cicatriz, quanto tempo falando dos outros, dos que já não estão mais entre nós, qual será sua nova roupa, quem será seu novo amigo, resta muitas perguntas, muitas dúvidas e quem saberá o que há no coração do homem?
Gaian
Postado em Contos, palavras com as tags Gaian em Setembro 8, 2009 por rodbox
Nenhum outro dia poderia ser tão marcante para Gaian como foi aquela tarde na chácara da família onde passavam as férias, era o último final de semana antes de voltarem a grande metrópole e verem sua tranqüilidade ficar para trás com a belíssima paisagem.
Fazia muito calor, o jovem Danton havia almoçado e já fazia algumas horas que brincava com seus irmãos mais novos e se preparava para sua última empreitada daquelas férias. Durante todos os dias ele ia até o lago nos fundo da propriedade e mergulhava, adorava a sensação de ser envolvido pela água que apesar de gelada sempre fazia-o voltar no dia seguinte.
Naquele final de tarde, o último mergulho foi sentido de uma forma diferente. Ele subiu no alto de uma pedra que ficava junto ao lago e pulou com toda sua força: braços abertos, joelhos dobrados como se fosse mergulhar de barriga e num movimento repentino corrigiu o corpo no ar e mergulhou de cabeça indo até o fundo da lagoa de águas claras como se olhasse por um vidro, poucos segundos antes de dar a primeira braçada para emergir sentiu como se o tempo parasse, algumas de suas mais profundas reflexões juvenis vieram a tona, no momento que via alguns peixes e a vegetação no fundo do lago em um colorido vivo, lembrou do infinito amor de seus pais e que aquele mergulho revelara-lhe o tamanho de afeto de ruas relações.
Olhou para cima e viu o céu, tinha a sensação de ver as nuvens passarem mais rápido projetando a sombras que variavam entre tons claros e escuros por todo o gramado e sobre a casa. Naquele momento se via no meio do sentido humano, da Existência, do Amor, em contrapartida, naquele momento sentiu algumas lágrimas pelos olhos, viu que chorava, eram lágrimas de tristeza, de dor, de injustiça de tudo que ainda não vira e não conhecera, inconsciente em meio a água, concentrou toda sua atenção em encolher-se e buscar força em meio a dois sentimentos tão antagônicos. Sentiu seu interior como punhos fechados e bradou como se quebrasse uma espessa camada de gelo ao seu redor com sua ira.
Foi em um piscar de olhos, emergiu, puxando os braços simultaneamente em direção a superfície e novamente outra braçada, emergiu inspirando o mais profundo que conseguiu. Passou a mão pelo rosto, tirando os cabelos dos olhos, ficou na superfície e viu que tudo estava como antes de mergulhar.
Nadou até a borda do lago, saiu, pegou suas roupas e voltou para a casa, abraçou sua mãe ainda molhado e beijou seu pai que não o impediram de entrar todo embarcado molhando o assoalho. Ele se dirigiu ao banheiro, tomou um banho quente, vestiu roupas enxutas e cuidou de seus pequenos enquanto aguardava o momento de partir. Seus pais se
entre olharam, não entenderam absolutamente nada, só sabiam que algo havia acontecido com o filho, mas o quê? Preferiram não falar, só se comunicaram com o olhos.
Gaian também não entendeu o que aquilo poderia ser, sabia que durante anos mergulhando da mesma pedra, no mesmo lago sentira desta última vez a dúvida e a sede pela vida, sabia que anos seguintes seriam diferentes.
A partir daquele dia, sua vida fora alimentados pela busca da verdade e a encontrar respostas para uma causa maior, inexplicável e subjetiva no dom da vida.