Hoje acordei como tenho acordado todos os dias, irritado.
Não tinha café, só leite frio, murmurei.
O relógio não me ajuda, ninguém me ajuda.
Tropecei na cama enquanto colocava a calça, xinguei.
Meu humor não ajuda, só penso em mim.
Ego criado em uma caixa de sapato,
há muito tempo incubado hoje foi revelado.
Um estado que não muda, aumenta a paralisia mental.
Nada muda, tudo é a mesma coisa.
A chatice de ser eu mesmo todos os dias.
A mesma irritação, a mesma chatice, a mesma mesmice.
Quem não quer ser algo diferente?
Um ator, poeta, um membro de uma sociedade secreta.
A dupla identidade que nos fascina, muitas vezes antagonistas,
hoje, o fantasma dentro de mim
chama-se EGO.
Só penso em mim.
Tudo me desafia, quebrar essas paredes de superficialidade.
Atingir a carne e resgatar a profundidade.
O criador, o altruísta, pacifista e bem humorado,
como me sinto chato, um pelo encravado.
Pena de mim não pensa em ninguém.
Trato de correr e rápido.
Mais um dia penoso no trabalho.
Mais um, mais um, mais um e mais um
parece que não chega o outro.
Tudo dentro de mim está chato.
Só penso em mim.
Nada de espelhos, nada de fantasmas.
O desafio do palhaço em mim.
Correndo atrás do próprio rabo.
Que cara chato!
Diz-me outra coisa se não me vou embora.
Quero eliminar o EGO.
Lamento, não posso.
Aqui não tem ar-condicionado.
Arquivo para Novembro, 2009
EGO(2)
Postado em Futilidades, poesia com as tags Ego em Novembro 27, 2009 por rodboxApagão
Postado em palavras com as tags Apagão em Novembro 16, 2009 por rodbox
A vida nos grandes centros ou próximos a eles é realmente fascinante. O caos causado por um apagão “relâmpago” fez-me lembrar imediatamente do filme Duro de matar 4.0 onde um suposto ataque terrorista causou perda dos sistemas de telecomunicações, bancário e abastecimento elétrico de todos os Estados Unidos, só quem tinha geradores conseguiu avançar por mais alguns minutos dentro da enorme nuvem de caos estabelecida.
Tudo indica que mundo real não estamos longe das cenas do filme, com as interligações de sistemas cada vez mais comuns, é essa situação que estamos sujeitos,vai-se a energia, ficamos em pânico até a primeira vela ou lanterna ser acessa, corremos para a janela para ver se há alguma visibilidade do tamanho da escuridão, logo, que a energia volta, tentamos a internet, sem chances pois os servidores foram afetados, sem informações corremos para a TV na última tentativa de se acalmar e tendo a certeza que o problema foi maior do que imaginávamos: linhas telefônicas congestionadas, crimes, acidentes de transito. Todos os medos ganham vida, talvez nem tanto os crimes, mas segurança é a primeira preocupação que vem a mente.
Noto que há um ar de excitação em todo o cenário, as pessoas preocupadas com sua família e amigos que podem estar pelas ruas e sujeito a qualquer coisa ruim, a emoção que nos toma conta ao vermos os âncoras dos telejornais relatando minuto a minuto a situação dos vários lugares afetados dando uma enorme sensação de conforto e alívio, nos deparamos com muita gente acordada no mesmo momento e principalmente solidariedade dos meios de comunicação, nessas horas todos querem alguém preocupado em nos dizer o que acontece.
Diante de todo caos há ternura e segurança por aqueles que trazem as informações como se estivéssemos juntos, no momento do acontecimento, para os solitários é a glória.
Diante de tudo isso fiz um poema para expressar meu quadro pelo que passei nesse blecaute. Aí está:
De repente “…” silêncio e escuridão,
Um xingamento, uma palavra inesperada e a reação
Cadê a energia? Não salvei meu arquivo!
Tudo escuro pela janela da frente,
Tudo escuro pela janela dos fundos.
Maldito presidente!
Sabia que a conta não era dele.
Um minuto.
Quase tropecei no canto da mesinha da sala.
Me queimei tentando ascender a vela.
Finalmente vou poder beber água.
Mais velas, mais velas.
Não vejo nada.
Tudo escuro.
Passam-se minutos
Opa, voltou!
Nada de internet, ferrou.
Perdi mesmo meu arquivo.
Não salvei backup.
Tenho que dormir.
Ligo a TV! Ahhh!
Que conforto, bom saber
A situação poderia ter sido pior.
Fui privilegiado.
A rua continua escura.
Parece mais magro.
Foi um acidente? Sabotagem?
Pior! Politicagem!
Tanta gente acordada como eu.
Pq? Pq? Não importa.
Meu arquivo perdido, não volta…
Como é bom saber que tem alguém
mais preocupado do que eu.
Boa noite mundo.
Já perdi a hora.
Veneno
Postado em palavras com as tags Veneno em Novembro 10, 2009 por rodbox
Estar no lugar errado na hora errada pode parecer para muita gente algo ruim ou má sorte mas eu digo que esse tipo de situação acontece comigo em um outro contexto. Poderia resumir com a máxima “beber do próprio veneno”. Se tem coisa mais irônica é você ir em um lugar seja lá em que âmbito for e se deparar com duas pessoas que diziam jamais apertariam as mãos ou que concordariam com a mesma idéia se abraçando e trocando elogios como se amassem desde sempre, detalhe, uma das pessoas dá aquela olhada para você afinal ela confidenciou a você o quanto não suportava aquela pessoa e demonstra o espanto, o terror, a vontade de desaparecer ou de odiar do fundo da alma sua presença alí. Nessas situações eu costumo ter um olhar imparcial tentando esconder os dedos acusatórios, claro que essa reação pode ser diferente, depende de cada situação, tem umas que dá vontade de voar no pescoço da pessoa e outras de rir descaradamente. É a ironia, a hipocrisia rolando solta, confesso que eu já fui vítima disso, bebi do meu próprio veneno algumas vezes mas é melhor comentar dos outros do que de si mesmo. Festas em família, círculos de amizade pessoais ou da empresa, alianças políticas duvidosas, traição, poder, mesquinharia, egos do tamanho de um estádio de futebol, enfim, poderia enumerar a lista mas vou deixar todas essas histórias para quem sabe um dia entrar em um projeto de contos.
Eu teria medo de ser um personagem na minha própria história o que pode ser resolvido com “qualquer semelhança entre os personagens da ficção e a realidade é mera coincidência”.
Sumido
Postado em Futilidades, palavras com as tags broken em Novembro 4, 2009 por rodboxComo ando meio sumido ultimamente, deixo apenas a letra de uma música que ouvi várias vezes nesse final de semana.
Continuo achando que Jack Johnson é o músico mais apaixonado na ativa.
Broken(Jack Johnson)
With everything ahead of us we left
Everything behind
But nothing that we needed at least
Not at this time and now
The feeling that I’m feeling well
It’s feeling like my life is finally mine
With nothing to go back to
We just continue to drive
Without you I was broken
And I’d rather be broke down with you by my side
So without you I was broken
But I’d rather be broken down with you by my side
I didn’t know what I was looking for so I
Didn’t know what I’d find
I didn’t know what I was missing
I guess you’ve been just a little too kind
And if I find just what I need
I’ll put a little peace in my mind
Maybe you’ve been looking too
Or maybe you don’t even need to try
Without you I was broken
But I’d rather be broke down with you by my side
So without you I was broken
But I’d rather be broke down with you by my side
With everything in the past fading faster and faster until it was gone
Found out I was losing so much more than I knew all along
But everything I’ve been working for
only worth nickels and dimes
But if I had a minute for every hour that I’ve wasted I’d be rich in time, I’d be doing fine
Without you I was broken
But I’d rather be broke down with you by my side
So without you I was broken
But I´d rather be broke down with you by my side