Hoje acordei como tenho acordado todos os dias, irritado.
Não tinha café, só leite frio, murmurei.
O relógio não me ajuda, ninguém me ajuda.
Tropecei na cama enquanto colocava a calça, xinguei.
Meu humor não ajuda, só penso em mim.
Ego criado em uma caixa de sapato,
há muito tempo incubado hoje foi revelado.
Um estado que não muda, aumenta a paralisia mental.
Nada muda, tudo é a mesma coisa.
A chatice de ser eu mesmo todos os dias.
A mesma irritação, a mesma chatice, a mesma mesmice.
Quem não quer ser algo diferente?
Um ator, poeta, um membro de uma sociedade secreta.
A dupla identidade que nos fascina, muitas vezes antagonistas,
hoje, o fantasma dentro de mim
chama-se EGO.
Só penso em mim.
Tudo me desafia, quebrar essas paredes de superficialidade.
Atingir a carne e resgatar a profundidade.
O criador, o altruísta, pacifista e bem humorado,
como me sinto chato, um pelo encravado.
Pena de mim não pensa em ninguém.
Trato de correr e rápido.
Mais um dia penoso no trabalho.
Mais um, mais um, mais um e mais um
parece que não chega o outro.
Tudo dentro de mim está chato.
Só penso em mim.
Nada de espelhos, nada de fantasmas.
O desafio do palhaço em mim.
Correndo atrás do próprio rabo.
Que cara chato!
Diz-me outra coisa se não me vou embora.
Quero eliminar o EGO.
Lamento, não posso.
Aqui não tem ar-condicionado.
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EGO(2)
Postado em Futilidades, poesia com as tags Ego em Novembro 27, 2009 por rodboxLucidez
Postado em poesia com as tags Lucidez em Julho 22, 2009 por rodboxA campanhia toca,
acorda, vai ver quem é
sua cabeça está muito longe da porta
longe para olhar pela janela.
enquanto deita na cama,
outro fantasma ecoa ao seu lado.
Só mais algumas horas,
a música alta não te deixa dormir,
(ou já dorme há muito?)
Respira fundo,
agora o barulho vem de fora.
Outro vizinho,
vazio,
grita, tenta chamar atenção
preso aí,
a pancada é seca,
um vinho sem sabor.
Olhos fecham
contra sua vontade.
Outros olham para dentro
A mente não ajuda
oferecem mais um pouco daquela bebida,
(adrenalina),
Imaginação,
acusação, sobre peso.
Alguém que escute
Alguém que escute
Tire a luxuria da mente,
leve os devaneios
mistérios da alma
Fugindo das grades
teias que criou
fastamas de si mesmo
nunca se vão
Horas e horas a procura socorro.
Assim que eles são
Assim que eles são
Assim que eles são
Assim que eles são
Assim que eles são
Assim que eles são
Notas
Postado em palavras, poesia com as tags Notas em Julho 10, 2009 por rodbox
Calmamente pego meu caderno e começo a divagar, o poeta senta e começa.
Como criar conexões entre o ceticismo e o crédulo? O real e o imaginário?
Algumas linhas podem nos definir, responder questões históricas: o que somos, o que fazemos, para onde iremos. Busco incessantemente caminhar pela fina linha dos sonhadores, não pra ser alienado mas com a certeza de que tenho um pé na realidade e outro nas nuvens.
A palavra e o poder, os dois na mesma frase e a frase em um parágrafo com cenas de ação, próxima espectativa, próxima linha no próximo parágrafo em outra página. Crio caminhos por entre exaustivos estudos dos sentidos e notas de rodapé, ao final defino “A poesia nos salvará!”, a fina arte de compor momentos mágicos com maestria.
Dizem que os artistas não enlouquecem pois sonham acordados e manifestam seus devaneios de todas as formas. Quão divido talento este de trazer do pensamento, do abstrato para a realidade dura dos que vivem presos e a enxergar o que seus olhos colocam diante destes, o poeta sempre vai além de seus registros, ele vive, acredita e sonha com suas palavras, com ele a eternidade está garantida.
Sobriedade e loucura, como controlá-las? Momentos que geram palavras de pedra como se fossem forjadas na rocha e momentos que geram amizade e ternura. O poeta anota, rabisca e conversa consigo mesmo, esta é a razão pelo qual faz sua arte.
In-sensibilidade
Postado em palavras, poesia com as tags In-sensibilidade em Maio 24, 2009 por rodbox
A insensibilidade é algo altamente prejudicial a qualquer um…
Nestas poucas linhas, devo dizer o quanto é angustiante você se lembrar de uma pessoa e essa pessoa mal se lembrar de você.
Com poucas palavras ela tenta lembrar meu nome e lamenta que suas memórias estão um pouco embaralhadas sob o efeito do álcool mas se alegra por ver que eu estava bem.
Por um momento tento colocar todas minhas memórias a sua frente e estabelecer uma conexão com as suas, difícil, aparentou-me alguém que está muito longe da realidade do sonhador que fora um dia, lamentei.
Lamentei que suas memórias estivessem tão frágeis quanto uma pintura velha, lamentei que seus dias voltaram a ser a dura realidade das ruas, dos malabares, dos artesanatos, dias em vão e que ninguém olha das janelas, sua subsitência lhe garante seus momentos de devaneios e heróis imaginários, possíveis esperanças de que um dia terá suas feridas saradas e uma nova vida será a recopensa de suas penosas lágrimas.
O que fariam os ilusionistas da vida? Como recuperar alguém que vive a margem de si mesmo? O que devo fazer para que minhas lembranças não se tornem meras poesias empoeiradas e tão logo esquecidas?
A impotência diante da realidade é tão prejudicial quanto a insensibilidade dos que tropeçam diante dos que vivem apagados, distantes do humano digno, há muito abandonados por pessoas como eu, sinto-me insensibilizado.
Tanto quanto
Postado em palavras, poesia em Setembro 6, 2008 por rodboxMinhas palavras são tão superficiais quanto a promessa de retorno.
Minhas estórias tão fracas quanto os relacionamentos virtuais.
Meus valores tão vendáveis quanto a pirataria barata dos camelôs.
Minha cultura é tão consumista quanto a ideologia do império.
Minhas raízes são tão frágeis quanto o cristal da madame de vida fútil.
Meus pensamentos são tão insignificantes quanto a vida de uma mosca.
Minhas escolhas são tão impulsivas quanto a comida de fast-food.
Meu caráter é tão corrupto quanto ao poder do dinheiro.
Meus poemas são tão curtas quanto essas linhas…
Minha indignação tão forte quanto desprezar minhas afirmações.
Minha mediocridade é tão ridícula quanto o senso de tranqüilidade das grades.
Sou um tanto quanto…
Aqui e alí, como você e nada de mais.
Ócio(2)
Postado em palavras, poesia em Junho 6, 2008 por rodboxÓcio, horas e horas pensando
Ócio, a tortura continua
Ócio, me empreste uma idéia
Ócio, o incessante tic-tac dos relógios
Ócio, o zapping de blogs
Ócio, a chuva que causa sono
Ócio, digito jabutis
Ócio, a ociosidade…
Ócio, os ossos do tédio
Ócio, muitas árvores depois
Ócio, mais uma folha cai
Ócio, a barba coça
Ócio, o rabisco no rascunho
Ócio, killing time
Ócio, uma lógica óbvia do nada
Ócio, logo durmo
Ócio, o “super size me” do improdutivo
Ócio, faça-me o favor
Ócio, os sons borram
Ócio, linguagem intangível
Ócio, a produtividade improdutiva
Ócio, superficilidade agussada
Ócio, quero algo para produzir
Ócio, fastio matator
Ócio, linhas e linhas sem nexo
Ócio, mais reticências…
Escrito em parceria com Thegodspeed
Fones de ouvido
Postado em Futilidades, poesia em Maio 29, 2008 por rodboxDo lado de dentro
as palavras fogem ao meu pensamento.
Tenho tanta coisa pra pensar,
as vezes penso que posso mudar o mundo
“revolucionar o pensamento ocidental”.
No instante seguinte penso “Bobagem”,
isso fica bem numa poesia.
O mundo moderno nos deixou tão excitados
com tecnologia e imoralidades.
Somos certos agindo errado,
temos pensamentos tão pós-modernos.
Hey, por que dividiria meu assento com um desconhecido?
Deixe a cortina fechada,
estou bem com meus fones de ouvido.
Ouvindo estórias, músicas,
curvas, carros, viadutos, barulho,
estão todos lá fora.
Eu estou do lado de dentro,
um fruto da toda cultural globalizada.
É… pensando bem, não tem nada pra ser mudado.
As vezes me surpreendo de como tenho essas idéias
com tanta dificuldade de ser original.
Paraguas*
Postado em poesia em Março 17, 2008 por rodboxLá fora a chuva cai
é só isso que tem acontecido nos últimos dias
só observo e reflito
como eu poderia me ver naquela chuva.
A música lenta me faz lembrar de você
de uma época que tudo parceria ser novo
mas eu não estou lá fora pra me molhar
e você não está mais do meu lado.
Queria estar lá fora com você
não posso controlar o vento
queria controlar meu coração
oh queria controlar meu coração
nós demos um tempo
enquanto chove lá fora
a música me mantém aquecido
próximo à janela
esse tempo passará
Deus nos visitará
e ficaremos bem
eu e você.
*em homenagem aos meus amigos blogueiros nestes dias chuvosos.
Infonética Sobreatual
Postado em poesia em Março 12, 2008 por rodboxA inspiração sob pressão torna-se uma tensão.
A tensão sobre pensamentos torna-se um problema!
Garanto-lhe que não estarei aqui quando todos os sistemas entrarem em colapso.
Toda fuga mental é dada por impulsos elétricos
como pequenos nós em vetores complexos, a minha está mais que garantida.
Linhas e caracteres do mundo digital
são como as placas reguladoras das relações humanas.
Sentimentos virtuais não curam a fragilidade do ser
quando o grande blackout informacional acontecer
estaremso longe do sentido de viver.
O conflito de interfaces está preparado, real x atual
Armemos nossas guerrilha virtuais
sob uma brisa artifical que sustenta nosso bem estar
estar do ar condicionado gerando a climatização
dentro da disseminação do aquecimento global.
Vivemos em caixas de acontecimentos, condicionamentos, tratamentos…
pré moldados nos projetos de aterramento
Sob o leve e sublime céu azul de uma tarde amena de verão
circulam infovias puslantes e sobrecarregadas de tensão
O próximo download pode ser ao lado
sobre a mesa, em seu bolso, em seu carro
O último pacote de atualizações é aguardado
Atualize seus servidores e prepare-se porque…
cercas sem fio não vão segurar minha partida
quando o homem tornar atual seu mundo virtual.
Godzilla de papel…
Apaixonado*
Postado em poesia em Março 11, 2008 por rodboxA chuva acabou de cair e o ar está parado
pelo vidro eu olho para o horizonte e suspiro levemente
levo minhas mãos ao peito e fecho os olhos
tento imaginar onde você pode estar
me lembro que o tempo parecia parar quando estava ao seu lado
Oh como eu desejo que você estivesse aqui
Tudo faria sentido, ao olharmos um para o outro
eu não precisaria perguntar nada.
Qual a distância que nos separa?
Se pudesse te sentir só mais essa vez
tudo faria diferença,
as músicas, os livros, os lugares, as cores…
Hoje a noite lembrarei apenas de ti
irei ler os poemas que nos marcaram
dançarei sob a luz de velas
sob as sombras do último jantar que tivemos.
Olharei novamente pela janela, bem no final da noite
e libertarei todas as lembranças que houve entre nós
Oh não chore meu amor
qual a distância entre nossos corações?
Um suspiro nos trará de volta
num dia desses.
Oh só não chore meu amor
pois te seguro em meus braços com as lembranças que tenho
te seguro em meus braços…
Oh apenas não chore…
Somos apenas um abraço partido.
*em homenagem aos meus amigos blogueiros.