É tudo muito corrido, hoje, o tempo está muito curto.
A corrida é intensa e já não temos mais tempo para nós mesmos,
a solitude se foi e o quê resta tem hora marcada no terapeuta.
Já não somos naturais, a farmacologia nos domina,
A arte se foi pela grana e aí nos entretemos com o lucro,
nossa sobrevivência e infelicidade.
Vejo a juventude de hoje, muito mais vibrante e decadente,
considero os adolescentes mais sortudos porque tem mais opções,
suas cores, suas tribos, comunidades e aficionados por qualquer coisa.
O que não muda o quadro clínico, crônico e vulgar.
Estamos indo, sem segurança para nos divertimos,
vamos ao cinema, para o cheiro de shopping, para a tinta fresca da roupa nova,
para o sapato que aperta o pé do manequim e massageia o ego.
Os espinhos doem na cara dos outros, o meu está cheio de botox informacional.
Entre o que fez o gol e o quê está afogado em tristeza.
Tomado por doses homeopáticas de eletricidade musical
ah, se os sons tivessem cor, a sinestesia estaria completa.
Mapas moleculares programariam DNAs genéricos
Derrubariam a falsa hipocrisia e já não seriam mais máscaras.
Está assim, tudo em uma bala engatilhada.
como na tensão do amanhã, o grande Sol,
pego pelas costas sem aviso, tropeçando em cima do carpete,
com o sapato do manequim do shopping, na sala de cinema,
o rosto esfolado, o grito de susto, as pernas,
a menina sem tempo de socorrer, o corpo ao chão
o cheiro artifical do ar
e então no silêncio vem o estalo.
O clique final. Algo aconteceu.
A mente humana é algo impressionantemete fascinante. Sinto atraído pela sua imensidão. Ninguém pode bloqueá-la a não ser que se sujeite entupí-la com imagens fáceis e consumo televisivo barato mas para os que gostam de expandí-la, criatividade, imaginação e fé nunca deixarão de existir e torná-la o remédio de todos os males.
Fico me perguntando qual deveria ser o papel dos seres humanos, ou melhor, encurtando a reflexão, como deveria ser nossas relações humanas? Evolução, crescimento, conhecimento, experiência, o que era antes já não é mais e que foi volta a ser alguma coisa.