…dos livros que lí(1)

10 02 2009

Título: A Filosofia de Andy Warhol
Editora: Cobogó
Lançamento: 1975(US) / 2008(BR)

Escrito pelo próprio Andy Warhol e como o título sugere, é um livro para saber o que ele pensava e o que ele falava com sua mulher, não era exatamente uma mulher de vderdade e sim seu gravador que deu a base para o livro todo e foi sua companheira de vida registrando sua percepção de mundo.
Andy Warhol divide opiniões entre todas as pessoas que o conheceram pessoalmente e/ou conhecem sua obra, para alguns sua arte não é arte, para outros ele é um dos principais artistas e ícones do século XX, tanto que sofreu um atentado em 1968 da fundadora e membro único da Sociedade para Castrar Homens – em inglês – SCUM – Society for Cutting Up Men – os motivos que o levaram a sofrer o atentado não são citados no livro mas pode-se dizer que ele provocou muita gente achava sua arte ridícula e ofensiva.
Ao longo do livro percebi que se existe uma pessoa fruto do meio que vive, essa pessoa é Andy Warhol, em todo livro ele não faz uma referência a arte clássica, livros ou grandes personalidades históricas, exceto Picasso o qual faz uma referência e tenta produzir em seis meses a quantidade de obras que Picasso produziu em toda sua vida, uma tentativa frustada, as grandes referencias são marcas, nomes de pessoas famosas e tudo o que a televisão exibia.
Baseado em sua narrativa, fica claro a predominante influência da televisão para inspirar suas criações na década de 1960, a imagem simplesmento o fascinava, tanto que ele tinha quatro televisores em seu quarto, um tipo de fascínio que chamou a atenção pela forma que a vida era retratada e foi base para seus mais expressivos trabalhos: a famosíssima Pop Art – a massificação da mensagem como arte. Talvez o grande trunfo de Andy foi ter entendido como os meios de comunicação impunham o comportamento que desejavam e reproduzir isso como arte, fazer das relações pessoas x produtos, seu sustento, entendendo que “pessoas são produtos e produtos são pessoas”, muita gente pode achar isso um extremo absurdo mas para o mercado de consumo é absolutamente óbvio a tipificação de pessoas/produtos e vice versa, sua célebre frase – “… no futuro todo mundo terá seus 15 minutos de fama”, pode parecer sem sentido para nós hoje em dia mas tem provado ser veradade a cada reality show, isso dito na década de 1970 soava mais como um tiro a esmo do que uma profecia diante da personalidade fútil mostrada no livro, um cara que viveu solitariamente a maior parte de sua vida, adorava conversar no telefone com seus amigos(as), viciado em doces, caixinhas, televisão, dinheiro e claro, arte.
Fico imaginando se Andy Warhol estivesse vivo hoje, com seria o debate entre as mídias convergentes ou melhor, se ele tivesse 25 anos hoje como faria a crítica diante dos aparelhos de televisão full hd e TiVos da vida, qual seria o manifesto lançado por Andy após o advento da internet?
Sem dúvida, é o que faz deste artista uma personalidade polêmica, visionária, fútil e atual mesmo após sua morte em 1987, uma arritimia cardíaca após operação da visícula biliar.

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