Gaian

8 09 2009

Nenhum outro dia poderia ser tão marcante para Gaian como foi aquela tarde na  chácara da família onde passavam as férias, era o último final de semana antes  de voltarem a grande metrópole e verem sua tranqüilidade ficar para trás com a  belíssima paisagem.
Fazia muito calor, o jovem Danton havia almoçado e já fazia algumas horas que  brincava com seus irmãos mais novos e se preparava para sua última empreitada  daquelas férias. Durante todos os dias ele ia até o lago nos fundo da  propriedade e mergulhava, adorava a sensação de ser envolvido pela água que  apesar de gelada sempre fazia-o voltar no dia seguinte.
Naquele final de tarde, o último mergulho foi sentido de uma forma diferente.  Ele subiu no alto de uma pedra que ficava junto ao lago e pulou com toda sua  força: braços abertos, joelhos dobrados como se fosse mergulhar de barriga e num movimento repentino corrigiu o corpo no ar e mergulhou de cabeça indo até o  fundo da lagoa de águas claras como se olhasse por um vidro, poucos segundos  antes de dar a primeira braçada para emergir sentiu como se o tempo parasse,  algumas de suas mais profundas reflexões juvenis vieram a tona, no momento que  via alguns peixes e a vegetação no fundo do lago em um colorido vivo, lembrou do infinito amor de seus pais e que aquele mergulho revelara-lhe o tamanho de afeto de ruas relações.
Olhou para cima e viu o céu, tinha a sensação de ver as nuvens passarem mais  rápido projetando a sombras que variavam entre tons claros e escuros por todo o  gramado e sobre a casa. Naquele momento se via no meio do sentido humano, da  Existência, do Amor, em contrapartida, naquele momento sentiu algumas lágrimas  pelos olhos, viu que chorava, eram lágrimas de tristeza, de dor, de injustiça de tudo que ainda não vira e não conhecera, inconsciente em meio a água, concentrou toda sua atenção em encolher-se e buscar força em meio a dois sentimentos tão  antagônicos. Sentiu seu interior como punhos fechados e bradou como se quebrasse uma espessa camada de gelo ao seu redor com sua ira.
Foi em um piscar de olhos, emergiu, puxando os braços simultaneamente em direção a superfície e novamente outra braçada, emergiu inspirando o mais profundo que  conseguiu. Passou a mão pelo rosto, tirando os cabelos dos olhos, ficou na  superfície e viu que tudo estava como antes de mergulhar.
Nadou até a borda do lago, saiu, pegou suas roupas e voltou para a casa, abraçou sua mãe ainda molhado e beijou seu pai que não o impediram de entrar todo  embarcado molhando o assoalho. Ele se dirigiu ao banheiro, tomou um banho quente, vestiu roupas enxutas e  cuidou de seus pequenos enquanto aguardava o momento de partir. Seus pais se
entre olharam, não entenderam absolutamente nada, só sabiam que algo havia  acontecido com o filho, mas o quê? Preferiram não falar, só se comunicaram com o olhos.
Gaian também não entendeu o que aquilo poderia ser, sabia que durante anos  mergulhando da mesma pedra, no mesmo lago sentira desta última vez a dúvida e a  sede pela vida, sabia que anos seguintes seriam diferentes.
A partir daquele dia, sua vida fora alimentados pela busca da verdade e a  encontrar respostas para uma causa maior, inexplicável e subjetiva no dom da  vida.

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