Identidade

12 12 2009

Desde de muito jovem percebi que as pessoas tentam nos convencer de muitas coisas, querem-nos gostando de um determinado estilo, querem-nos sendo bom nisso e naquilo. Quando somos adolescentes vemos a triste divisão que aquela turminha simples vai sofrendo aos poucos e cada um seguindo seu prórprio destino, um deixa o cabelo crescer, começa a se vestir de preto, outro começa a ter interesses em toda sorte de política, outros não se interessam por nada e basta cada dia seu prato de comida ou o copo de bebida. Por uma felicidade fui um desses que foi convencido por algumas verdades e passou boa parte da vida acreditando que estava no lugar certo, na hora certa e no momento exato.
Os anos passam e vemos nova mudança, uns casam, outros tornam-se pais sem se casar, alguns se engajam em movimentos de causas nobres, outros mudam de cidade sem deixar vestígios, outros ainda vendem seus instrumentos musicais e assim outra fase que se foi e eu, deixei de acreditar que estava no lugar certo, na hora certa e no momento exato. Não foi a questão de se tornar cético ou pessimista mas em algum momento alguém deixou de te pintar aquele mundo colorido, dormiu no ponto, te feriu e ainda te convenceu que a culpa foi toda por ter deixado a “magia” sucumbir. Pode até parecer uma questão de ingenuidade ou picuinha mas foi um daqueles estalos do tempo pra te dizer que tudo foi relativamente em vão. Suas memórias vão pro lixo, as pessoas não irão mais te reconhecer após um tempo. Os “amigos” vão aos poucos desaparecendo e te olhando com indiferença e finalmente, a certeza de que tudo foi mesmo em vão.
Mudamos de opinião, de corte de cabelo, tentamos uma nova turma, um novo estilo, um novo “eu” com as frustrações e marcas jogadas debaixo do tapete, tentamos respirar funda e jogar a bola pra frente.
Alguma coisa parece errada. Não dá simplesmente pra varrer tudo para baixo do tapete e fingir que tá tudo bem, fingir… Até dá. Após algumas doses de realidade fingimos boa parte de nossas vidas, aquele sentimento da verdade não existe mais, apenas lampejos que nos lembrarão e aliviarão um pouco da angústia e solidão futuras.
O caminho de volta parece um pouco distante, a vacina foi injetada e daquele momento em diante nada mais parece penetrar na alma, somos pós-modernos, relativos, superficiais e interesseiros como manda o momento. Alguém por favor encontre um remédio que nos livre de nós mesmos e que não seja veneno de rato.

Anúncios

Ações

Information

One response

18 06 2010
Clauton

Também passei por isso e posso dizer que até hoje não “voltei ao normal”. Ainda me sinto procurando algo que perdi lá atrás, que na verdade eu sei o que é, mas não posso voltar pra consertar.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s




%d blogueiros gostam disto: