A barata

8 01 2011

Viu a barata em cima da pia que comia o sabonete, era o mesmo que utilizava para lavar a mão e a bunda. Lastimou.
Sem dar um passo lançou o chinelo, zunindo pelo ar resvalou na torneira e acertou uma formiga que estava no lugar errado na hora errada, a barata correu aumentando sua repulsa por insetos.
Olhou-a de forma querer fritá-la, rapidamente mirou a cozinha e  pegou o Rodazol em baixo da pia, ela sabia que ele estava ali e mesmo assim continuava sem se mexer desafiando-o.
Espirrada certeira. Sentiu-se aliviado. Em poucos minutos estava escovando os dentes enquanto ouvia seu corpo raspar pelos vãos do armarinho numa tentativa desesperadora de não ver seu fim.
Cuspiu a espuma da pasta, voltando ao espelho lá estava ela fraquejando enroscada em um tufo de poeira, cuspiu novamente, sacou o chinelo do outro pé aguardando o triunfo com satisfação.
Entre um espasmo e outro pelos azulejos lá estava cambaleante, asfixiada e agonizante.
Estacou como em um pedido de clemência… Pláah! A chinelada fatal!
Como numa morte sem gosto, deu trabalho ao ficar grudada na sola, sofreu outro arremesso e toda injustiça social estava resolvida.
Vísceras! Enquanto suas patas mexiam aleatoriamente, seus miúdos estavam espalhados pelo banheiro, sadicamente mais uma borrifada de veneno, viu sua morte lenta de forma prazerosa, contente, saiu assobiando.
Opa, não por muito tempo, calou-se aos xingos de seu pai, eram 3:50 da manhã.