Após o estalo, o clique final

25 06 2010

É tudo muito corrido, hoje, o tempo está muito curto.
A corrida é intensa e já não temos mais tempo para nós mesmos,
a solitude se foi e o quê resta tem hora marcada no terapeuta.
Já não somos naturais, a farmacologia nos domina,
A arte se foi pela grana e aí nos entretemos com o lucro,
nossa sobrevivência e infelicidade.

Vejo a juventude de hoje, muito mais vibrante e decadente,
considero os adolescentes mais sortudos porque tem mais opções,
suas cores, suas tribos, comunidades e aficionados por qualquer coisa.
O que não muda o quadro clínico, crônico e vulgar.

Estamos indo, sem segurança para nos divertimos,
vamos ao cinema, para o cheiro de shopping, para a tinta fresca da roupa nova,
para o sapato que aperta o pé do manequim e massageia o ego.
Os espinhos doem na cara dos outros, o meu está cheio de botox informacional.
Entre o que fez o gol e o quê está afogado em tristeza.

Tomado por doses homeopáticas de eletricidade musical
ah, se os sons tivessem cor, a sinestesia estaria completa.
Mapas moleculares programariam DNAs genéricos
Derrubariam a falsa hipocrisia e já não seriam mais máscaras.

Está assim, tudo em uma bala engatilhada.
como na tensão do amanhã, o grande Sol,
pego pelas costas sem aviso, tropeçando em cima do carpete,
com o sapato do manequim do shopping, na sala de cinema,
o rosto esfolado, o grito de susto, as pernas,
a menina sem tempo de socorrer, o corpo ao chão
o cheiro artifical do ar
e então no silêncio vem o estalo.
O clique final. Algo aconteceu.





Reflexões(2)

8 02 2010

A mente humana é algo impressionantemete fascinante. Sinto atraído pela sua imensidão. Ninguém pode bloqueá-la a não ser que se sujeite entupí-la com imagens fáceis e consumo televisivo barato mas para os que gostam de expandí-la, criatividade, imaginação e fé nunca deixarão de existir e torná-la o remédio de todos os males.
Em meio a tanta ganância, orgulho e traição há aqueles que sonham, por pior que seja a opressão, nenhuma prisão poderá de fato prender os que sonham, é claro que há um risco a correr, quem sabe a loucura e a imcompreensão, quem já não sentiu este choque e imaginou-se fora de sua capacidade mental em lutar contra a realidade?
As artes, as letras, os sons são os elementos que nos mantém firmes, que fazem alguns de nós se imaginarem fora destes muros físicos. Há os que caminham apáticos externamente mas em seu interior há um mundo de possibilidades infinitas, não feito para ser aplicado as ciências ou tecnologias, apenas poesia, fantasia e vida em si.





Reflexões

27 09 2009

Fico me perguntando qual deveria ser o papel dos seres humanos, ou melhor, encurtando a reflexão, como deveria ser nossas relações humanas? Evolução, crescimento, conhecimento, experiência, o que era antes já não é mais e que foi volta a ser alguma coisa.
Quanto tempo ficamos parados olhando a vida do vizinho, do amigo, dos tios, de quem quiser, acontecer e a nossa vida a mantemos parada?
Quantas pessoas passam pela nossa vida em um ano? Há fases que há encontros e desencontros, por exemplo, conhecemos muita gente na faculdade, no trabalho, no dia-a-dia e quantas nos preocupamos de fato, nenhuma resposta.
Com quantas pessoas devemos dividir nossa sinceridade e amor, se é que existe em algum de nós?
Cansei de contar o números de pessoas que passaram por minha vida e dei o valor errado, alguns mereciam muita atenção e outros nada, troquei os valores e lá se foram.
Outro dia ouvi uma frase muito boa – não me lembro o autor – mas ele dizia “Experiência é nome que a gente dá aos erros que cometemos ao longo da vida”, por uns bons minutos fiquei refletindo e tentando desconstruir a frase e montar minha própria conclusão, o máximo que consegui foi expressar um olhar de indignação. Desde então tenho me aprofundado nessas questões existenciais e volto pergunta inicial deste post.
Quais são as pessoas e os lugares certos que devemos dividir nossos esforços, criatividade e tempo?
Hoje em dia há uma pressão para uso e produção de nossos sentidos em prol de grandes organizações que nem sabemos suas reais intenções no topo da pirâmide, simplesmente dizem “siga a fila e lá no final você não se arrependerá!”.
Se você leu 1984 de George Orwell, deve ter percebido que esse pensamento é muito presente no personagem principal que passa quase todo o romance lutando consigo mesmo e o mundo todo a favor de sistema utópico, como se estivesse dentro de uma máquina auto-suficiente sem direção.
Qual o tamanho da esperança que você deposita em si mesmo? Qual a sua visão de futuro e que você tem desejado para si?
Ainda irei colocar em um romance todos os assombros, devaneios e epifanias que tenho.