Superficialidade

26 08 2009

Superficialidade! Novamente este tema volta em cena, poderia incluir na parte dos post “…dos livros que lí” pois o assunto voltou justamente com minha leitura de um dos livros póstumos de Júlio Verne – Paris no Século XX, o texto foi encontrado apenas em 1984 confirmando o título que havia sido publicado pelo filho de Verne dias após a morte de seu pai.
Por volta de 1860, Júlio Verne tentou imaginar como seria o mundo a mais ou menos a cem anos dalí e posso dizer que ele foi bem em retratar como as relações humanas estariam baseadas em coisas e não em pessoas e se você não enquadrar-se simplesmente seria uma carta fora do baralho sem o mínimo de remorso para a sociedade e é o que ocorre com o personagem principal do romance.
Verne previu que certas faculdades humanas estariam praticamente mortas quando o mundo chegasse ao seu ápice de produção industrial, não haveria autênticas mulheres, a relação entre marido e mulher seriam os negócios, a base de troca de interesses, não há sentimento apenas comprometimento com o lucro e gestão das informações para melhorar os resultados.
Desta forma,  há grandes complexos para estudos, grandes instituições de ensino científico e mecânico, o livro cita a “Sociedade Geral de Crédito instrucional” um local onde o que importa é ser bem sucedido nos números, na química e administração dos bens e o pobre do personagem – coincidentemente com o nome de seu filho, Michel – destaca-se por ser um talento nas letras, na poesia e apaixonado pelos grandes autores franceses praticamente esquecidos numa sociedade moderna e ao longo do romance o jovem é colocado como um peso na família por não compartilhar as mesmas ambições.
Diante do mundo utópico de Verne, fico com a parte dos relacionamentos mal resolvidos, superficiais e interesseiros – que sempre existiram, sem dúvida – mas que hoje se tornaram mais reais que nunca devido a tecnologia em nossa disposição: temos a velocidade da informação, das transações bancárias, dos sistemas integrados e uma solidão caótica!
Infelizmente, a superficialidade parece ser uma tendência para nós do Século XXI, tanta velocidade e integração que nosso tempo tem sido tão escasso diante das futilidades e arrisco incluir que se não são fatores dessa velocidade são nossas próprias limitações internas e externas além das pandemias, atentados, violência, variações climáticas, etc.
Sinto que as novas gerações estão fadadas a efemeridade e as utopias de um futuro já escrito e assim nossa vida se vai escorrendo por entre os dedos alimentando alguma engrenagem da fatídica globalização.

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